¿Primavera Club?

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As coisas acontecem porque sim. Tão fácil e simples quanto isto. Sempre achei inútil perder demasiado tempo a lamentar o inevitável. Se fosse bruxo seria capaz de prever qualquer imprevisto e agir antecipadamente antes do sucedido, mas, como até ao momento careço desse tipo de poderes, parece-me muito mais sensato esquivar-me dos obstáculos e seguir em frente com o meu caminho. Se um árbitro te anula um golo, continuas a insistir e marcas outro; se um médico te proíbe de comer carne, habituas-te ao peixe; se não te fica bem o azul, vestes-te de roxo…

Resumindo, há que dar a volta. A vida é “assim”, como diria “o outro”, e o melhor que podes fazer é focar-te no positivo, na ideia de que há sempre algo, que “Deus aperta mas não afoga”. Como podem ver, nota-se à distância a minha herança católica, porque, por muito que o disfarce, não estou a fazer mais do que revisitar todo o conto da resignação e o vale de lágrimas. Tantos anos de catecismo, anjos e “flores a Maria” tinham que deixar marca.

Não pensem que não sou consciente de que todo o escrito não resiste a um exame filosófico medianamente sério. No entanto, para mim serviu de introdução para aquilo que realmente quero dizer. Que estou farto de falar do IVA a 21%, entediado de denunciar que este país não é sério, que me parece cobarde estar sempre a apelar ao azar, ao imprevisto, à injustiça. Que tudo tem um limite e a partir daí há que aprender a desenrascar-se.

Por isso, não vos quero contar o quão complicado é montar um Primavera Club quando, a quinze dias do evento, fecham três das salas previstas, como é difícil equilibrar um orçamento quando a meio da preparação ficas com menos 13% da facturação ou a facada que representa para as vendas finais perder um dos cabeça de cartaz a meio do caminho. Há que levantar a cabeça, como qualquer outra pessoa. É preciso cerrar os dentes e seguir em frente… mas…

Como tudo o que acontece serve para aprendermos, como ninguém quer tropeçar repetidamente na mesma pedra que algum manfio pôs no caminho, o Primavera Club, tal como o conhecemos, vai acabar.

Parece-me coerente o que me disse noutro dia um amigo: “Fazendo ou não, não me dês seca. Eu pago um passe para me abstrair dos meus próprios problemas, não para estar todo o santo dia a levar com os teus.”.

Tem mais razão que um santo. Já temos bem assente que para o ano não vamos cometer os mesmos erros que cometemos nas últimas edições. A experiência em Guimarães tem sido extraordinária e queremos repetir esse modelo. Se for possível, recuperaremos ofertas antigas e levaremos o evento a outras cidades mais receptivas e onde possamos programar tudo sem este tipo de pressão. Se não, seguiremos com o nosso Primavera Sound, os nossos concertos e outros projectos que temos em mente e, quiçá, encontrem menos obstáculos e nos reportem resultados mais positivos. Entretanto, vamos desfrutar desta edição como se fosse a última, porque provavelmente será mesmo. As cartas estão dispostas e espero que não nos aconteça mais nenhum sobressalto. É a hora da verdade, hora de falar das bandas em palco. Esperamos para ver se os Swans são tão ferozes em palco como os pintam ou de saber se podemos fazer de J o portavoz de uma geração. Estará Antònia Font tão bem preparado como dizem? Haverá algo por detrás das músicas de Ariel Pink para além da sua pinta de freak?

E vocês, bolas, comprem entradas que ainda há umas quantas em Barcelona.

Gabi

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Uma resposta a ¿Primavera Club?

  1. é com imensa pena que não vou a este Primavera Club e agora provavelmente o último. na verdade é mesmo o dinheiro que está em causa. não pelo preço do bilhete que me parece até injusto para a organização, mas porque a minha despesa não iria apenas concentrar-se no bilhete. transportes, alojamento, refeições e alguns prazeres de luxo(?) destruiam as minhas poucas poupanças deste mês e algum do próximo. é uma noticia triste, mas por isso mesmo, a quem poder usufruir, façam desta edição do Primavera Club em Guimarães a melhor de todas, como se fosse a última, porque realmente pelo que leio no texto do Gabi, infelizmente é.

    Cristiano

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