O IVA das bebidas e alimentação em festivais ou concertos sobe também para 21%

Ontem deram-me outra péssima notícia de índole económico. Como já sabem, o sector da indústria cultural vive momentos muito difíceis depois da subida do IVA dos bilhetes de 8% para 21%, desde o dia 1 de Setembro. Muitas empresas vão desaparecer e uma importante quantidade de artistas deixará de passar por Espanha. É muito difícil para um empresário sobreviver se lhe tiras, de um ano para o outro, 13% da sua facturação. Uma vez que não é possível repercutir essa taxa nos bilhetes (as pessoas não podem pagar), terá de assumir esse custo extra. Por exemplo, neste momento o passe geral para o Primavera Sound custa 145 euros. Assim, depois de somada a taxa de IVA e SPA, temos de descontar 31%, ou seja, 37.15 euros. É uma autêntica barbaridade que faz com que este negócio se torne praticamente inviável.

Por comparação, em Portugal o IVA é de 13% (e um dos mais altos da Europa, que em média ronda os 7%) e a taxa da SPA anda à volta dos 5%. Entre o IVA e a SPA, dá um total de 18%. Se o bilhete custasse o mesmo, descontaríamos 17.52 euros, quase 20 euros de diferença em relação a Espanha. Desta forma, com o preço do passe geral para o Optimus Primavera Sound a 110 euros, temos praticamente a mesma margem que com o passe geral para o Primavera Sound em Barcelona a 145 euros. Uma loucura!!!! Qual é o resultado? Os países que nos rodeiam são muito mais competitivos. Podem vender bilhetes mais baratos e oferecer mais dinheiro aos artistas. Isto implica a ruína do sector e este ano teremos muitas surpresas neste sentido. Nem sequer os festivais mais consolidados estão fora de perigo. E, obviamente, ninguém com capital vai querer entrar neste sector neste momento.

Pois bem, como se isto não fosse pouco, o Governo pôs em marcha uma circular na qual deixa bem claro um ponto que tinha criado alguma confusão. Uma vez que o IVA afecto à alimentação, restauração e aos bares em geral é de 10%, dávamos por garantido que o imposto a aplicar aos bares e serviços de alimentação dentro de um festival, sala de concertos ou discoteca, era também de 10%… Mas não. Consideram-se espectáculos mistos e aplica-se a tudo 21%. Com isto, ou subimos o preço das bebidas e da alimentação ou perdemos mais 13%. É um disparate tão grande que, a um restaurante normal aplica-se a taxa de 10% (porque está na categoria de turismo), mas se o mesmo restaurante contrata um pianista para acompanhar o jantar, o IVA já é de 21%. Ou seja, o sistema penaliza a música.

Se tiver um bar na rua, pago 10%. Se ao lado do bar monto um palco com música ao vivo grátis, pago 21%.

Muito bem, um aplauso para estes iluminados.

É uma situação muito complicada. Nós temos a sorte de estar bem e a atravessar um bom momento. Por isso, não vamos repercutir o IVA e perdemos esses 13% (não podemos subir ainda mais o preço do passe geral). Aguentamos este ano e veremos como será daí para a frente. Mas uma coisa é certa, ninguém monta um negócio para perder dinheiro e asseguro-vos que nenhum empresário deste sector tem uma margem de benefício de 13%.

Gabi Ruiz

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